Drömma

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Drömma Dreaming Logger — Coleção de Sonhos — Sonhário
2014-05-03 / iwao

chego em casa; vazio: alguém levou todas as peças de cimento e de madeira. a casa mesmo, de uma austeridade wittgendteininana, mas nem caixas de sapato. não lembro de ter perdido nada realmente valioso, talvez eu não tenha, nunca tive - objetos. mas que ladrões são esses?
2013-08-11 / iwao

estou numa garagem de banda de rock, meio estúdio, ambiente confortável, temperatura fresca. há um bateirista, um baixista, um guitarrista e eu. uma banda, como fugazi ou sonic youth, mas sem mulheres (a pouco havíamos ido a um show jantar do sonic youth, com nova formação, muito tranquilo, mas com o'rourke tímido e inseguro, fazendo perguntas para o outro rapaz, e umas facas na mesa, tábua de cortar pão; faz-se ritminhos com a faca, entrecortados, pequenos rulos e pausa; capirinha, mesa longa, clima muito mas muito tranquilo, mais para uma música silenciosa de cage). joe lally, talvez (eu não o conheço, nem sou especialmente apreciador) me passa o baixo, e a frase é um reggae, mas em compasso de cinco tempos. começando no contratempo {re-re-ré, re-re-ré. re-re-dô do ré fa lá (re-re) }. eu male mal pegando isso, o instrumento com correia muito baixa, eu entortando os dedos, às vezes errando e pensando também - mas há algo de errado (é que a bateria estava tocando em quaternário) e meu lado músico tentando resolver a questão com viradas para aproximar o tempo, o guitarrista fazendo sons muito suaves, melódicos mas não tanto, e eu há mudando de quando em quando o riff, descendo até lá...
2013-01-22 gráfica-cama / iwao

estou alucinando gritos, quase-vômitos, refluxo e infecção na garganta, semi-acordado também, crescendos sem resolução, contrações violentas no estômago, febre, e a cama se agiganta, suor e edredon, cheirando cigarro mas matthias não parou de fumar (?), o colchão aciona uma gráfica, é parte da gráfica, há um lado privilegiado, mais calmo, o outro faz com que livros sejam impressos, resmas que se acumulam em algum lugar, e é só inclinar o corpo para a esquerda as pernas, os joelhos doem, são os livros, os relatórios em sulfite e encadernação espiralada, acumulando.
2012-01-05 yassai / iwao

revirando sensações [como quem revira na cama], os sons e o sangue tomado só podem ser uma confirmação de que o mundo verdadeiramente acabou, na figura de dois seres, yassai, fluidamente extraintravoando [acordo e vejo que são dois pernilongos; mato-os, estão gordos e explodem em pequenos borrões vermelhos; lembro que yassai são legumes]. vegetarianos, esses seres cessam, a transfiguração se deu, da turbulência para a não-turbulência.
2011-11-01 cabelo cortado / iwao

cortava o cabelo com uma tesoura meio ruim. depois com uma bem pequena, prateada (as duas tesouras existem). meu coro cabeludo estava coçando e eu deixava uns buracos, perfurações capilares enquanto cortava. e no entanto, não queria. tentava corrigir e ia deixando bem curto, cada vez mais curto, até arrepiar.
2011-11-10 da separação dos elementos / iwao

eu tinha de determinar a constituição de uma série de elementos pertencentes a um grupo. essa determinação envolvia a separação de dois componentes, um dos quais estava sujeito a um teste simples, que me permitiria aferir se o elemento era ou não consistente em relação aos outros do grupo, ou a um princípio (não declarado). nessa separação, eu via um conceito ficar embaixo do outro, e os critérios lógicos se ordenarem, como em uma estante, mas verticalmente.

o quinto elemento era uma banheira de ofurô, devidamente preenchida com água quente. dentro da banheira estava nina giovelli. eu via os braços dela, apoiadas nos bambus laterais, e do busto para cima: as partes emersas. usava um pano que tapava o conceito, que então não podia ficar devidamente separado. isto porque o pano era irreal e não continha conceito de cor, não sendo possível falar nem em cor nem em conceito, mas apenas em pano.

assim, disse: "tire esse pano nina", ao que ela olhou (a cara dela, no sonho, não era especialmente expressiva, sua expressão facial parecia ser sempre a mesma: bonita e agradável - atraente -, mas, ao mesmo tempo, normal, com um resquício do insosso rondando). e respondeu: "não posso, tenho vergonha. debaixo estou apenas de biquini". e: "tá, espere".

esperei. e de novo e o pano sumiu, e nina estava de maiô preto petróleo, e apesar da água, podia vê-la, por inteiro: sentimento de estrelinhas douradas se espalhando e sons de plin plin plin.

(o quinto elemento era inconsistente em relação ao grupo.)
2010-01-27 gato negro / iwao

sonho com bichos perseguidos por dois entes malignos, que revelam-se um casal de seres humanos. depois de muito sobre e desce, escada, cozinha. pela escada, das sombras percebo - os humanos são bem maiores - e eis que um rato, um gato, doninha, etc (aqui há um salto, a narrativa é sugada por um buraco de minhoca) - e logo em meu braço sinto um gato, mas agora estou acordado, e ele é negro, sinto seu peso, com certeza está aqui, como entrou em meu quarto? e se agarrou tão firmemente ao meu braço.

***

tento tira-lo, minha mão sobre sua cabeça, estou virado para cima, meu braço é o direito, a cabeça, um focinho, seria um cachorro ou gambá, um ser ainda sem nome - e me morde, segura a mordida, meus músculos se contraem - nessa hora estou estupefato, de olhos abertos, minha mão doendo, meu braço tenso, e não há gato, nem ao menos uma almofada ou pelúcia.
2012-12-28 pós-espetáculo / iwao

um evento num teatro antigo, grande, aparentemente tradicional - as poltronas vermelhas, dobráveis mas duras, veludo e pilastras de mármore - mas cujo proscênio se estende como um galpão de fábrica abandonada. algo estranho, ruídos, passagens, talvez uma peça monumental de mauricio kagel ou peter ablinger. de cima, vê-se que não há palco senão um espaço visível, mas que continua no não visível. cenas disformes, pequenos acontecimentos, olhando para baixo, agora de pé, caminhando, há uma escada e corrimões. paro. por fim, um apagão e grande silêncio. o tempo passa. não há mais músicos ou atores. a luz de serviço é ligada, tênue, e a música recomeça, desta vez algo trivial, de espírito barroco, um som de clavicórdio - só reconheço depois de um tempo. o sujeito toca de pé. penso: "seria isso um final verdadeiramente radical, após o blackout, uma música, um ambiente enorme preenchido por uma tênue música, trivial mas bela, evocando uma nobreza perdida, e uma experiência do banal após o aturdimento do estranho?". a escada é de madeira e umas pessoas sobem conversando, um produtor preocupado (um alterego) e outro, e o rapaz do clavicórdio toca de pé, um sujeito moreno com pinta de descolado e moderninho, no fundo um músico indolente. estou em baixo e ouço: "será que deveríamos avisar a todos que acabou?". aquele rapaz era da platéia. estava a tocar porque, sem ter algo melhor a fazer, achara um clavicórdio. a música é incoveniente, decerto, a continuar, e aquela banalidade não vai aglutinar um sentido maior. o camarim é branco, com azulejos brilhantes. deveria ser expressamente proibido de tocar qualquer instrumento no após espetáculos.
2012-11-13 paquistão / iwao

sonhei que acabei indo ao paquistão, fugir de algo (sonho de fuga). lá, tinha de perseguir. uma portinhola, casas de madeira, uns conselhos... clima seco, restos de arbustos, vento. cabras. vejo um rinoceronte de duas cabeças indo em minha direção. ele parece perigoso. ando um pouco mais rápido, ressabiado. há gansos. o rinoceronte vira na mesma ruela que eu e puft, brinca de bater sua cabeça contra a parede. ele deve ser perigoso. ando na outra direção, vou voltar para a casa, ele parece estar me seguindo. outra fuga. vou perguntar ao colega paquistanes experiente de barba que mora na casa, se é ok ou não andar por aí, com um rinoceronte de duas cabeças por perto.