Drömma

aisling . dream . rêve . sogno . sonho . sueño . traum . śnić
Drömma Dreaming Logger — Coleção de Sonhos — Sonhário
ococô / en_drigo

plano, branco, infinito, e eu deitado nisso, era o meu colchão. muio grande. tão grande, que as pessoas começaram a circular (eu acho que já esperava por isso). e deitado ali, gente que não acabava mais, passando por cima, pelo lado, por todos os lados, uma multidão, e eu já com vontade de sair debaixo das cobertas.



até que alguém pisou na minha mão, eu enchi o saco e fui ao banheiro: dei uma mijada senão eterna, duradoura, do tipo que parecia não ter fim. quando fui dar a descarga, vi que ali sempre esteve um cocozão serpentinado, que se recusava a descer sanitário abaixo, lutando contra o redemoinho de águas.



e isso me preocupou. tinha uma fila na porta do banheiro e eu teria, inevitavelmente, que me responsabilizar por algo que não era meu.
avisos / li

surgiu uma vaga para eu trabalhar no guión, como agente cultural, fui e fiz a entrevista. saí de lá e a namorada de um cara que eu estava a fim correu para cima de mim e mordeu o meu rosto. fui me esconder em baixo de um palco, era um teatro bem grande e bem equipado com vários ventiladores. encontrei ali uma mini-saia rodada, cintura alta de veludo azul-marinho. vesti e ficou perfeito em mim, resolvi ligar para a lau para passar na casa dela e mostrar. qdo ela atendeu (eu a via) era de madrugada, muito quente, e ela estava sem sono na sacada do seu apartamento, na lima e silva, em frete ao zaffari. logo após estávamos caminhando em uma cidade estranha cheia de prédios bem velhos, era suburbio de algum lugar e procurávamos um lugar para tomar um cerveja. a lau tinha que parar em telefones públicos a cada cinco minutos para avisar a diarista dela que não fosse fazer a limpeza naquele dia .
pãezinhos / Lola

Haveria um grande jantar na minha casa,mas a minha casa era a casa da minha tia,e todos estavam atarefados com os preparativos,menos a tia que seria a personagem principal no jantar e apenas se enfeitava e supervisionava os preparativos.No pátio havia uma barranco e o pessoal da padaria ao lado havia deixado ali uma cesta com três pãezinhos doces com cobertura de creme.Peguei um pãozinho e comecei a comer mas qdo me dei conta não eram pãezinhos e sim gatinhos,muito filhotes,amarelinhos,e cujas costas eram feitas de pão doce com cobertura de creme.Então fiquei enojada e cuspi fora o que estava mastigando,era macio e tinha gosto de pão doce,mas eu não queria engolir o gatinho.
passarinho / li

eu dormia na minha cama quando entrou minha avó ( já falecida) no meu quarto e deitou ao meu lado. Ela ficou pouco tempo ali, só o tempo de esquentar as cobertas e saiu logo após. Tentei acordar para falar com ela e perguntar se ela estava bem. Demorei para despertar e quando consegui, vi que tinha apenas um passarinho branco do meu lado fazendo carinho nos meus cabelos .
nos canos / en_drigo

do ralo do banheiro saía um ruído igual ao barulho que faz o caminhão do lixo, quando passa na frente da minha casa (isso acontece todos os dias, sempre a uma da manhã). enfiei o meu braço lá dentro, descendo-o inteiro, até a altura do ombro. enquanto o fazia, a sensação era de que as paredes do encanamento do ralo eram de carne, o interior do buraco do ralo pulsava como um organismo em volta do meu braço, e eu o enfiei ali o máximo que pude, para trazer de volta um punhado de pelos e alguns arames.



devo ter machucado a carne em volta do ralo, trazendo estas coisas, pois sentia o chão ondular, embaixo de mim.



deixei o ralo sem tampa, por fim, tinha certeza que mais tarde teria vontade de enfiar o braço ali dentro, outra vez.
revés / en_drigo

marcio simch deixou comigo envelopes carimbados, onde no carimbo se lia "marcio simch".

imediatamente lembrei dos pacotes de cocaína comprados em um morro carioca, onde se lia "com mestre salú não tem miséria".

marcio simch deixou os seus envelopes carimbados com "marcio simch" sob minha responsabilidade, eu não poderia perdê-los.

os envelopes de marcio simch com "marcio simch" carimbados causavam muita curiosidade entre as pessoas, todas elas queriam ver o que tinha dentro dos envelopes "marcio simnch".

foi então que eu me dei conta que o carimbo no envelope dizia "marcio simnch" e não "marcio simch", como eu pensei ter lido.

tentei lembrar, sem sucesso, se eu não teria me enganado ao ler o carimbo "com mestre salú não tem miséria", talvez estivesse escrito, na verdade, "com sestre malú mão tem niséria". já não lembro se era um corro marioca, mas sarcio minch já não falava direito comigo ao lefetone, eu já não endentia soica almuga do que rascio minhsc me zidia.
pollock / li

Eu tinha comprado um ônibus bem novinho e o Wander Wildner resolveu que ali seria o nosso atelier de pinturas, segundo ele faríamos sucesso, assim como Pollock.
tatuagem de pedra / li

eu tinha alugado uma casa bem legal e grande para morar, em capão da canoa, rs. Percebi que a casa era muito grande e fiquei com medo de morar sozinha ali. Eu não tinha móveis para tanto espaço, a sala era enorme com muitas janelas grandes, em todas as paredes. O clima era legal, mas não curti as janelas pq todos que passavam na rua poderiam me enxergar. Comecei a organizar uma escrivaninha velha, com forte cheiro de naftalina, ali eu guardava fitas k-7 com muito pó. Logo, ouvi barulhos de pessoas dentro da casa, e então que percebi q eu estava vestida apenas de camiseta e uma calcinha toda feita de bichinhos de pelúcia. Corri para todos os lados tentando me vestir, mas nada encontrei, até que resolvi arrancar uma das cortinas brancas das janelas para improvisar uma saia. Tentei fazer parecer que a saia era super moderna, porém fiquei desconfortável com o fato de agora as janelas da casa estarem completamente descobertas. Saí dali e entrei em um corredor grande, que era um andar de um edifício com salas comerciais. Eram muitas salas, todas apertadas e uma delas era o consultório da minha dentista, que estava saindo da sala, ia almoçar. Cumprimentei ela e só então é que percebi que eu estava carregando dois sacos de lixo. Procurei sair, mas eram muitas as salas e todas eram divididas apenas com panos coloridos. Andei muito pelos corredores até entrar numa sala que tinha uma placa escrita ‘estivador’. Ali dentro estava Dioniso,um amigo, me esperando pq, segundo ele eu tinha marcado uma hora para fazer uma tattoo. Estranhei pq não sabia q esse amigo era tatuador e estranhei suas roupas, uma regata branca justa e muito suja, mas para não perder o amigo aceitei fazer a tatoo. Ele me fez sentar em uma cadeira de balanço e pegou o meu braço para tatuar. Suas tatuagens eram muito diferentes, ele tatuava com grampeadores, uns bem pequenos, outros maiores se mostrando muito ágil e habilidoso no manuseio destes. Comecei a olhar o trabalho q ele fazia no meu braço e percebi q as tatuagens eram feitas colocando umas pedras preciosas (rubis e esmeraldas) e pedras catadas na rua por debaixo da pele, finalizando o desenho com queimaduras de incenso na minha pele. Depois de um certo tempo as grampeadas começaram a doer e eu reclamei, ele disse ‘dá nada! agüenta aí’. Agüentei, pois a tatuagem estava bonita, mas cada grampeada q ele dava eu sentia dor de barriga. Achei q a dor era culpa da calcinha que eu usava mas qdo olhei para o meu abdômen, vi que saía uma pequena árvore de dentro do meu umbigo. Tentei esconder a arvorezinha com muita vergonha, mas ela tava crescendo rápido demais. Apertei ela com cuidado e pensei ‘ ainda bem que é uma pitangueira, adoro pitangas’.
a-ham / en_drigo

em pé, em um cruzamento, o lugar era uma mistura de mato e cidade.

vou tentar ser mais específico: a esquina era parecida com a convergência das ruas teodoro sampaio e fradique coutinho, muito movimentadas e poluídas, com o ar ruim. a rua, porém, ao invés de asfalto, era preenchida por um rio, com um curso muito rápido, tal o rio mapocho, em santiago. um mendigo, também em pé, ao meu lado, disse-me "a água tem essa velocidade pois vem toda daquele prédio", e eu virei para vê-lo (o prédio), muito alto, pertencia ao unibanco (dizia o letreiro). "tem uns '300' andares", completou o índio (acho que o mendigo era um índio), "era do mappin, depois foi a editora abril, vão colocá-lo para alugar", e eu percebi que ele usava um terno azul e gravata, acho que agora era um banqueiro.



o sinal abriu, finalmente, e eu atravessei a rua (que era um rio), e fiz isso, aparentemente, pois a faixa de segurança era uma combinação de blocos de concreto, com uma fundação muito profunda, separados a um metro de distância. pulei de bloco em bloco, encharcando os pés.



do outro lado da rua encontrei uma fila de meninas, que abriam a boca para mim, uma a uma, mostrando a língua, onde na ponta havia sêmen. acho que era sêmen, pois depois parecia ser um selo. e elas tentavam me dizer o que era, falando com a boca aberta "aaahan, gaaan aaan han..." eu fingia entender, eu não entendia coisa alguma.
o brasil não treme / en_drigo

fui embarcar no avião no mesmo dia em que o desastre natural - que alguém batizou de aponina - estava marcado para acontecer. estava assim, marcado, com data e hora, igual ao meu vôo, coincidindo com ele, também.

o vôo não aconteceu. as pessoas lotaram o aeroporto. ficaram por ali, jogadas, como desabrigados (embora nenhum aponina tenha atingido o aeroporto).



aí passaram-se dias, os desabrigados viraram uma comunidade, o aeroporto foi dividido em vários bairros (derrubaram uma parede pra entrar sol), e o tal avião, não decolava nunca.



eu fiquei aborrecido com esta situação, fiquei horas em uma cadeira e duas meninas tentaram, aos empurrões, sentar na minha perna. eu pedi a elas que esperassem, que eu tinha descolado uma almofada, mas elas ficaram em pé, a minha volta, perguntando se o brasil tremia (acho que se referiam a terremotos). eu respondia que não, eu queria saber o que desastre era aponina.