Éramos um bando de uns 20 e vivíamos numa época em que não tínhamos construções modernas e que havíam, além de nós, ferozes e infalíveis predadores, porém nossos conhecimentos filósoficos eram bem desenvolvidos.
Apesar da falta de « infra-estrutura », haviam caminhos bem-feitos - de terra batida, porém bem-feitos - e largos, tão largos como estradas, que cortavam aquela floresta densa, de árvores e folhas enormes, por onde andávamos.
Éramos, bem possivelmente, nômades, e estávamos andando, procurando um lugar para ficar por algum tempo.
Estávamos talvéz num vale, onde, quanto mais baixa a altitude, mais perigos e predadores haviam e discutía-se numa impresssionante e avançada retórica, os perigos e as vantagens de se dormir ali. Tínhamos que , logo, dormir. Alguma coisa tinha que acontecer o mais cedo possível. Talvéz a caminhada que se sucederia, não sei.
Lembro-me de ter usado todos os mais sofisticados recursos retóricos para convencer os outros líderes daquele bando a não optarem por ali ficar, durante aquela noite, eu sabia que aquilo poderia ser o fim de nossas vidas.
Depois de longamente discutir e contra a minha vontade, todos deitaram-se ali mesmo, naquela esquina onde paramos para discutir, enquanto eu fui dar uma última olhada para ver se nào havia nenhum predador se aproximando. Quando olhei, nada de aterrorizante consegui ver, porém ainda restava a clara sensação de que aquilo seria o fim de nós todos.