Era verão e eu estava andando por Montmartre carregando um carrinho de feira cheio de pedacinhos de panos e uns sacos de tapioca, encontrei o Pascal bem nas escadarias do Sacre Coeur, assim como nos encontramos um ano atrás. Apesar do calor, lá do alto ventava muito. Descemos as escadarias e ele contava sobre sua raiva dos parisienses e sobre como o bairro virou um cenário de filme de Los Angeles. Quando descemos seu amigo queniano dono do bar estava a nossa espera, o carrinho misteriosamente desapareceu e eu não me importava, caminhamos até um outro bairro mas havia muita gente, me perdi do Pascal e do seu amigo queniano, não me importava em estar perdida, estava tranquila e com fome. Ouvi o Pascal gritando "Mimoli, Mimoli, Mimoli, estamos aqui" encontrei Pascal com um saco cheio de caramelos numa mão e na outra uma garrafa de vinho. O gosto dos dois juntos era horrível fiquei enjoada.
O imbecil que quase atropela pedestres / Tuk•
Sonhei que eu estava no Jd. Suzana, na frente de onde ficava o bazar da Mitsy antes, eu precisava atravessar a rua pro outro lado, assim como uma mulher com duas crianças pequenas. Não vem ninguém, mas um carro aparece da rua onde fica a contabilidade vindo bem rápido, quase atropela a mulher com as crianças, que ficam super assustadas, e ainda abre o vidro e grita: "sai do meio da rua!!!". Eu grito de volta: "Dá a preferência pros pedestres, imbecil!" Ele vai embora e a gente enfim atravessa.
Pouco depois, quando eu já estou mais pra frente e na frente de onde ficava a Chatelet e depois teve uma locadora, o cara aparece com bem umas 10 outras pessoas amigas dele querendo tirar satisfação do que eu falei pra ele. O lugar agora é um bar e a locadora fica tipo no andar de cima. Eu tava entrando no bar quando as pessoas apareceram. Entrei no bar e fui vendo eles todos entrarem, furiosos comigo porque o que eu tinha feito era um absurdo. Esperei todo mundo entrar, foram se sentando em uma mesa e eu estava em pé ouvindo tudo que eles falavam contra mim. De vez em quando perguntavam se eu não ia falar nada. Certa vez eu respondi:
- "Como eu posso falar por cima de 10 pessoas? Aposto que vai passar 10 minutos e eu não vou conseguir nem começar a falar" - e não falei mais nada.
Mais de 10 minutos depois, finalmente consegui um espaço pra falar, e expliquei que o amigo deles tava correndo com o carro e tinha quase atropelado duas crianças. Eles disseram que eu tava exagerando etc etc. Eu tava morrendo de medo daquele povo todo resolver vir pra cima de mim e me destruir, mas o tempo todo não mostrava isso, foi realmente impressionante.
Eventualmente, eles ficaram discutindo entre si e eu saí do bar. Fui não lembro pra onde, o cara foi na direção contrária, depois voltei para o bar porque no fim das contas eu estava indo pra locadora. O cara me viu, eu subi rapidinho e vi que não tinha ninguém no balcão de atendimento da locadora e fiquei lá.
Me vendo no balcão, ele já disse: "ah, então você é só um bosta que trabalha na recepção de uma locadora". Eu disse que ele era um bosta que atropelava crianças. Ele disse que minha opinião não importava a mínima porque eu não era ninguém importante, e eu comecei a questionar ele sobre os valores dele em uma discussão bem filosófica.
- "E como é uma pessoa cuja opinião você respeita?"
- "Não você. Seu salário deve ser horrível"
- "Se uma pessoa tem dinheiro, como isso faz dela um bom formador de opiniões?"
- "Quem tem é esperto e sabe o que tá falando"
- "E esses são exemplos de pessoas com quem você anda?"
- "Claro"
- "OK. Eu tenho um conceito muito diferente"
- "Ah é, como?"
- "Primeiro, o que você faria se uma TV em uma loja estivesse por 1500, você sabe que o preço é 2500 então está obviamente marcado errado? Você avisaria alguém ou levaria a TV assim mesmo?" - nem deixei ele responder - "E antes de você me responder, e essa outra pergunta aqui..."
E fiz umas duas outras perguntas do mesmo naipe moral, quando enfim eu disse:
- "Acho que você sabe quais das respostas eu valorizo. Eu ando com pessoas que eu acredito que teriam dado essas respostas. Antes de você dar a sua resposta pras perguntas, dá uma olhada nesse vídeo..."
E mostrei pra ele o que era um comercial da Samsung onde exatamente aquela situação da TV com preço errado tinha sido armada, e como as pessoas reagiam, e que as pessoas que avisavam ganhavam a TV grátis, os lojistas faziam a maior festa etc. O cara começou a lacrimejar no meio do vídeo. Eu tinha vários outros vídeos na manga pra mostrar pra ele, cada um relacionado com cada pergunta moral que eu tinha feito. A irmã dele apareceu em algum momento no meio do vídeo pra assistir também, e acabou dando uma bronca nele. Nesse tempo todo que eu tava lá fingindo ser o atendente, ninguém da locadora apareceu. Antes de eu mostrar o segundo vídeo, eu acordei.
a praia de areia cor de rosa / apta•
Ventava muito, a areia cor de rosa entrava dentro da minha sandália me deixando um pouco incomodada. Encontrei o Dimitre sentado numa espécie de buraco fofo feito pela areia, ele estava sentado com as pernas cruzadas mexendo em alguma coisa que parecia ser uma câmera ou celular. Eu caminhava com dificuldade, e nao havia ainda percebido o lugar que estava, era apenas uma praia. Sentei ao lado do Dimitre e aí sim tive a completa noção, tive um susto. A areia cor de rosa era tão suave que eu mal percebia sua cor. O céu estava azul, muito azul e conforme a lua se movimentava a cor azul ia se modificando. No mar quase nao haviam ondas e eu conseguia ver alguns pontos luminosos na água, eles eram furta cor ou completamente verdes. Observava a praia com a minha mão apoiada sobre a mão do Dimitre, conforme as cores mudavam eu apertava seu punho sobre o meu.
NY / Hannap•
Sonhei que eu estava indo pra Ny de uma hora pra outra.
Não tinha tido tempo de preparar nenhuma mala. Isso não era um problema, eu compraria alguma roupa lá.
Mas também não tinha avisado ninguém da viagem. Nem meu amigo que me convidou pra ficar na sua casa. E meu celular só tinha 1% de bateria. Eu estava muito animado mesmo assim.
Apostei corrida com crianças no aeroporto. Cheguei ao balcão da companhia aérea pra fazer o check-in e me chamou a atenção que os funcionários da companhia atendiam em cima do balcão, de cócoras. Perguntei se alguém tinha carregador de celular lá.
Eu estava feliz, só com a roupa do corpo e sem dinheiro. O astronauta / Cauli•
Lembro que estava triste e com medo por ser com os americanos, e não com os russos. Os russos explodiam bem menos. Já tinha recebido, um dia antes, a quantia ridícula na minha conta. Exatamente US$1000, disseram que era por causa da inflação e eu aceitei, não tinha mais volta. Íamos eu e o guilherme, e por algum motivo eu estava no sonho recorrente na cidade antiga, no cefet, porque eu ia dar uma palestra pros colegas antigos. Nāo podia entrar nos portōes porque eu nao tinha jaleco verde, e porque tinha esquecido de comprar chá vermelho. Agora eu tinha certeza que ia explodir amanhã. Algum reporter do Fantástico tinha perguntado qual música era pra tocar de fundo na reportagem. Eu disse O astronauta do Baden Powell, e pensei: muito hipster, Cauli, mas pelo menos as pessoas vão lembrar de mim se eu explodir. Mil dólares, que vergonha.
Fernanda Montenegro / Hannap•
Passei o sonho inteiro, horas a fio, ao lado da Fernanda Montenegro.
Conversamos sobre muitas coisas. Descobrimos amigos em comum.
Contei pra ela sobre os meus cadernos. Falamos sobre a vida. Ela parecia íntima amiga minha.
Estávamos na primeira fila da platéia de um teatro.
Estávamos vendo pequenas apresentações. Conversávamos nos intervalos de cada cena.
Até que engrenamos um papo e acabamos ignorando algumas apresentações.
Tive uma aula sobre a vida. Que mulher mais generosa e linda.
Falamos sobre tanta coisa.
eu tinha um segredo com o vitor, era que nós encontramos deus e eu comecei a ficar com ele pra assassina-lo. a arma ia ser um óculos de grau, mas eu ainda nao sabia como faria. foi tenso. o bom é que eu tb tinha tesão em deus, mas sem perder o foco da missão. um dia antes do grande dia fui a casa do meu pai visitar meus irmaos e pegar energia positiva deles. no dia seguinte deus transformou um bar podreira ao lado da casa dele em um bar azul bonito. eu sentia que ele nao desconfiava de nada e gostava de mim. deus era careca, mulato e muito belo.
17 anos com a Martina no Mancha / apta•
Era um sábado a tarde, estava muito frio e eu estava com pressa para ir logo pra Casa do Mancha encontrar a Martina. Eu tinha 17 anos mas minha aparência era a mesma de hoje, com 24. Eu e a Martina íamos ver um show do Dorgas.
A Casa do Mancha era enorme, gigante. Era tipo a casa da Pãodeforma só que com as pinturas da Casa do Mancha. A Martina usava uma bolsa rosa transparente cheia de glitter, fiquei com muita inveja da bolsa dela.
O show do Dorgas durou umas 3 horas, ele não acabava nunca, estava muito frio, eu sentia muito frio nos braços. Acordei, estava sem roupa.
Rats / Kaneda•
Ouvi uns sons de rastejo muito intensos. Como pareciam passos pesados e bem ligeiros, logo imaginei serem passos de rato. Comecei a procurar pela casa, em volta do meu quarto, então, notei que o som havia propagado para o banheiro.
Cheguei ao banheiro, fechei a porta e fiquei parado na tentativa de ouvir o som.
Éramos somente ele e eu.
Chocalhei o box com força, porque imaginei tê-lo visto subir.
Um rato então cai de uma altura acima da minha cabeça.
Quando tentou passar por mim, não pude deter-me, pisei em cima de seu corpo, notei que mesmo assim ainda queria me morder. Segurei o pé até que ele sufocasse.
chá perdido / apta•
Eu estava na casa do Savio brincando no Korg dele quando a Carmen aparece com um vestido de veludo azul pedindo para eu fazer um chá.
A cozinha do Savio é muito longe do estudio dele, preciso caminhar um monte e atravessar um jardim que parece com o jardim do IMS. Não consigo de forma alguma encontrar a porta para a cozinha, acabo entrando no que parecer ser o IMS, exatamente o café de lá. Encontro a mão do Guerrinha e tomamos uma garrafa de vinho juntas. Lembro que deixei a Carmen sozinha na sala do Savio esperando o chá e saio correndo. Encontro Carmen e Savio ouvindo Boards of Canada na rede.